A proposta de adequação salarial feita pela diretoria do São
Paulo ao elenco profissional sofre resistência de uma parte significativa dos
jogadores, que não quer aceitar o acordo que visa cortar despesas do clube
durante o período de paralisação do futebol por causa da epidemia de Covid-19.
As conversas são lideradas pelo gerente executivo de futebol
Alexandre Pássaro e pelo executivo de futebol Raí.
O clube propõe uma série de ajustes temporários no pagamento
aos jogadores, como corte de 50% no salário pago em carteira (CLT) e suspensão
dos direitos de imagem a partir deste mês (com pagamento previsto para o início
de maio). O São Paulo garante um mínimo de R$ 50 mil mensais e afirma que
reembolsará todos os valores quando a crise passar, em seis parcelas.
Sem consenso entre clube e jogadores nessas condições, existe
uma tendência de que as conversas sigam por um meio-termo. Mas não há qualquer
prazo por uma definição.
O São Paulo trata a proposta como a única possível neste
momento de crise financeira e diminuição de receitas – e, no documento, afirma
que os termos valem até 30 de junho. Se nada mudar até lá, uma nova adequação
terá que ser feita.
O São Paulo comunicou os atletas na última terça-feira que
eles terão férias coletivas de 20 dias a partir desta quinta. A questão
salarial será discutida paralelamente.
Veja em detalhes a proposta do São Paulo aos jogadores:
Dois meses de direitos de imagens pagos até o dia 5 de
abril. O outro mês (março) assim que possível;
50% do salário CLT de março no dia 5 de abril; 50% do
salário CLT de dez dias de abril no dia 5 de maio;
50% do salário CLT sempre nos dias 5;
Manter um mínimo de R$ 50 mil na CLT;
Valores de luvas CLT serão incorporados e sofrerão mesmo
desconto;
Valor descontado será reembolsado a partir do mês seguinte
em que tudo voltar ao normal, com rendas para o clube, em 6 parcelas iguais,
junto com salários;
Imagens de 1 de abril (vencimento 10 de maio) em diante
congeladas até a volta de tudo, e os valores pagos em 6 parcelas depois que
tudo voltar ao normal;
Caso haja prejuízo definitivo e importante em valores que o
clube não vá mais receber a ideia seria negociar um desconto permanente, mas
não definido agora;
Caso tudo não retorne ao normal até 30 de junho será
necessária uma nova negociação.
Veja os detalhes da propostas de férias aos jogadores:
Férias coletivas de 2 a 21 de abril;
Respeitar a solicitação da CBF;
Além dos 20 dias de férias em abril, outros dez dias serão
tirados no fim do ano;
Na possibilidade de tirarem mais dez dias do final do ano,
haverá a concessão de licença remunerada
50% do valor das férias de abril será pago no dia 5 de maio,
e os outros 50% mais um terço em dezembro.
O São Paulo tem uma preocupação interna financeiramente,
pois as receitas diminuíram sem a realização dos jogos. A folha salarial total
do elenco supera a casa dos R$ 11 milhões. Uma boa notícia foi a antecipação de
parte da premiação pela participação na fase de grupos da Copa Libertadores, no
valor de US$ 1,8 milhão (aproximadamente R$ 9,1 milhões).
Por outro lado, o clube teve prejuízo de R$ 47 mil no
clássico com o Santos com portões fechados e não poderá contar com a renda de
bilheteria. Além disso, o Barcelona ainda não pagou 1 milhão de euros (cerca de
R$ 5 milhões) acertado pela opção de compra de Gustavo Maia, jogador da base.
Fonte GE


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